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Mas afinal, será que o tempo passado frente ao ecrã é realmente prejudicial ou não?

Um novo estudo pretende explicar como é fácil cair em erro quando se analisam apenas estatísticas e números de uma única base de dados.

Data: 17.01.2019

Mas afinal, será que o tempo passado frente ao ecrã é realmente prejudicial ou não?

A investigação agora revelada indica que o tempo frente aos ecrãs não tem efeitos positivos nem negativos, e que nem todos os relatórios baseados na análise de dados são necessariamente corretos. Dois investigadores da Universidade de Oxford defendem que os cientistas que estudam comportamentos tendem a assumir que a análise de dados oferece um objetivo automático, ou seja, abrem uma base de dados, analisam e reportam os resultados. No seu estudo, ao fazer esse processo, sobretudo quando são analisadas poderosas bases de dados, é possível produzir diferentes resultados significativos que demarcam a os efeitos não-existentes, ou os “falsos positivos”, o que pode enganar o processo científico.


O estudo de Oxford centrou-se na análise estatística de várias bases de dados, mas invés de escolher apenas um resultado para apresentar, foram recolhidos todos aqueles que lhes pareciam plausíveis. E na conclusão sobre o tema dos efeitos causados por se passar demasiado tempo frente ao ecrã, o estudo é inconclusivo, referindo que não existe um efeito positivo ou negativo. Defendem que os dados são inadequados para a tarefa e que o uso da tecnologia cria demasiadas variáveis para reduzir a um único fator.


Em última análise, o documento não pretende desmistificar os efeitos de exposição aos ecrãs em si, mas sim demonstrar que todos os estudos feitos até agora são inconclusivos e que necessitam voltar ao estirador. As investigações que sugerem que a associação entre o tempo passado frente ao ecrã e o comportamento das crianças não é tão simples como muitos poderão pensar.


Os investigadores de Oxford deixam a sugestão para que os cientistas não só desenhem as suas experimentações com mais cautela, como também sejam mais transparentes nas suas análises. No seu estudo, os investigadores criaram um novo método para identificar resultados analíticos flexíveis, que surgem quando se analisam bases de dados de larga escala: invés de fazer uma análise estatística, os resultados são cruzados através de centenas de milhares de análises…


“Diferentes estudos científicos, com conclusões distintas, podem ter sido escritos baseados na análise da mesma base de dados, de uma forma ligeiramente diferente”, é referido no relatório.


Fonte: Sapo Tek



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