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Facebook falha em monitorizar como fabricantes de telemóveis usam dados dos utilizadores

Segundo reportagem do 'New York Times', auditoria realizada em 2013 indicou 'evidências limitadas' de verificação do cumprimento de acordos de parceria

Data: 14.11.2018

Facebook falha em monitorizar como fabricantes de telemóveis usam dados dos utilizadores

Por meio de parcerias, o Facebook concedeu às fabricantes de smartphones acesso a dados dos donos dos aparelhos na rede social, entretanto, não monitorava como a coleta era realizada, revela reportagem publicada pelo “New York Times”. O problema foi detectado em 2013, em estudo realizado pela consultoria PricewaterhouseCoopers a pedido do governo americano, mas só veio a tona agora, após o próprio Facebook detalhar a parceria em carta enviada ao senador democrata Ron Wyden.


No documento, que foi enviado para o “NYT”, o Facebook afirma que no início de 2013 a companhia fechou acordos de partilha de dados com sete fabricantes de smartphones, para fornecer o que chamava como “experiência Facebook”, tipicamente softwares customizados, que davam aos compradores dos aparelhos acesso ao Facebook. Essas parcerias, algumas fechadas em 2010, se encaixam num decreto de consentimento com a Comissão Federal do Comércio dos Estados Unidos (FTC), elaborado em 2011, para supervisionar as práticas de privacidade da rede social.


No relatório elaborado pela PricewaterhouseCoopers, a consultoria testou parcerias com a Microsoft e a Research in Motion, então fabricante dos telemóveis BlackBerry. Nos dois casos, foram encontradas apenas “evidências limitadas” de que o Facebook monitorizava e verificava o cumprimento de suas políticas pelos parceiros.


O Facebook alegava que suas parcerias de partilha de dados com fabricantes de smartphones estavam em ascensão — afirmou o senador Wyden. — Mas os auditores escolhidos pelo próprio Facebook diziam que a companhia não estava monitorizando o que esses fabricantes faziam com as informações pessoais dos americanos, ou se elas seguiam as políticas do Facebook. Não é bom aceitar apenas a palavra do Facebook, e/ou de qualquer grande consórcio, de que estão a proteger as nossas informações pessoais


Em comunicado, uma porta-voz do Facebook afirmou que a companhia “leva o decreto de consentimento da FTC incrivelmente a sério e tem ao longo dos anos submetido extensas avaliações dos nossos sistemas”. “Nós continuamos fortemente comprometidos com a ordem de consentimento e com a proteção das informações das pessoas”.


Como os EUA não possuem uma lei geral de privacidade dos consumidores, os decretos de consentimento foram a forma encontrada pelo governo para regular as práticas de privacidade de Facebook, Google e outras companhias que recolhem grandes quantidades de informações pessoais de seus utilizadores.


O grupo de defesa dos consumidores Electronic Privacy Information Center, que ajudou na formulação desses decretos, agora está a processar a agência pedindo a divulgação de relatórios elaborados pelas empresas.


"O que é claro é que a FTC falhou em garantir o cumprimento dos decretos de consentimento", afirmou Marc Rotenberg, presidente do grupo. "E isso aconteceu a um enorme custo para os consumidores americanos".


O Facebook fechou entretanto dezenas de parcerias de partilha de dados, que ganharam especial atenção após a revelação de que a Cambridge Analytica adquiriu, sem consentimento, dados de milhões de utilizadores da rede social. E que parte dessas informações foi utilizada em esforços para ajudar a campanha presidencial de Donald Trump.


Fonte: O Globo



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