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China aumenta repressão contra criptomoedas; desta vez na imprensa

Governo chinês baniu do WeChat mais de meia dúzia de veículos de comunicação especializados na cobertura das moedas digitais

Data: 28.08.2018

China aumenta repressão contra criptomoedas; desta vez na imprensa

Em uma campanha em andamento para conter o crescimento de criptomoedas tidas como ameaças, o governo chinês ordenou que mais de meia dúzia de agências de notícias on-line fechassem e proibissem locais físicos de hospedar eventos relacionados a criptografia. 


Na última semana, oito meios de comunicação que focavam em blockchain e criptomoedas foram banidos do WeChat, o mais influente aplicativo de comunicação e de pagamento móvel da China, por supostamente violar as novas regulamentações governamentais que bloqueiam a publicação de informações relacionadas a ofertas iniciais de moedas (ICOs) ou especulações sobre criptomoeda. 


Na última passada, a autoridade do distrito de Chaoyang, no centro de Pequim, também proibiu hotéis, edifícios comerciais e shopping centers de sediar eventos de promoção de criptomoedas, segundo um documento vazado nesta semana, e confirmado pelo jornal South China Morning Post com a autoridade local. 


Da mesma forma que o Facebook vem bloqueando a publicidade de ICOs, a China está bloqueando contas de cripomoedas e sites de tokens, com o objetivo de privá-los da publicidade, de acordo com Windsor Holden, diretor de Previsão e Consultoria da Juniper Research, sediada no Reino Unido. 


"A lógica subjacente é que, como muitas ICOs/criptomoedas são consideradas fraudulentas ou usadas para fins ilegais (por exemplo, lavagem de dinheiro), reduzir a conscientização sobre elas diminuirá a exposição do consumidor à fraude e, assim, abafará a escala geral de criminalidade associada à atividade”, disse Holden por e-mail. 


Blockchain segue em expansão na China


Ao mesmo tempo em que restringe as criptomoedas, como o Bitcoin, a China não está tentando banir o blockchain, a tecnologia básica por trás da moeda digital. Na verdade, as autoridades chinesas consideram o blockchain um grande potencial para gerar eficiências comerciais. Em 2017, a China registrou o dobro de patentes de blockchain do que os Estados Unidos, o segundo país classificado no ranking. Sete das dez maiores empresas de patentes de blockchain em todo o mundo eram chinesas, segundo Holden. 


"Criptomoeda é outra questão, e as ações do governo chinês refletem duas preocupações distintas. A primeira é a fuga de moeda, algo que preocupava tanto o governo chinês que o Banco Central local primeiro inspecionou e depois regulamentou as bolsas de Bitcoin do país. A ideia era reduzir as saídas de capital antes que todas essas trocas fossem proibidas em setembro de 2017", avaliou Holden. "Ao mesmo tempo, o governo também proibiu o comércio interno por meio de sites fora da China continental, como o Bitfinex, com sede em Hong Kong." 


A Tencent Holdings, controladora da WeChat, divulgou uma declaração à imprensa sobre a proibição dos meios de comunicação dizendo que eles eram "suspeitos de publicar informações relacionadas a ICOs... e especulações sobre o comércio de criptomoedas", mas a empresa também afirmou que atendeu aos regulamentos estabelecidos no início deste mês. Essas novas regulamentações, no entanto, são vagas e não citam especificamente a criptomoeda ou sua tecnologia fundamental de blockchain. 


Pool para mineração 


Com eletricidade barata, a China já foi um refúgio para vastos complexos de servidores que consomem muita energia e que realizam o processamento algorítmico para bitcoins e outras redes de moedas virtuais baseadas em blockchain. Mais recentemente, no entanto, a China reprimiu a atividade. 


No ano passado, a China proibiu as ICOs, uma forma de crowdfunding para moedas criptografadas, e mais tarde pôs fim ao comércio de moedas eletrônicas. Mais recentemente, o governo começou a desligar a torneira de energia para piscinas de mineração de bitcoin, ou grandes fazendas de servidores que executam processamento de criptomoeda. 


Abordagem regulatória 


Há várias razões "boas" para a China e outros países adotar uma abordagem regulatória mais prática sobre as criptomoedas, que até o momento existiram em um descuido do ocidente, de acordo com Martha Bennett, analista principal da Forrester Research. 


Há uma preocupação crescente de que a criptomoeda possa ser uma ameaça para os sistemas financeiros atuais, por meio de especulação desenfreada e empréstimos não garantidos por consumidores que querem comprar o dinheiro virtual. 


"Temos visto cada vez mais evidências de que as pessoas estão fazendo empréstimos para investir em moedas criptografadas e, em alguns casos, tomando empréstimos em cartões de crédito para investir", disse Bennett em uma entrevista anterior. "Isso pode levar a um colapso do crédito." 


As redes de criptomoeda também têm sido consideradas um canal para lavagem de dinheiro, e a China não é o único país que procura regular mais rigidamente a moeda digital. Ao mesmo tempo, as autoridades chinesas, juntamente com outros funcionários do governo, têm feito barulho sobre a possibilidade de criar uma criptomoeda apoiada pelo governo. 


Um token digital baseado em blockchain, apoiado pelo governo, ofereceria os benefícios de uma moeda internacional utilizável para a liquidação do comércio global e das participações. E teria taxas mais baixas, porque exigiria menos administração por meio do uso de contratos inteligentes ou de autoexecução. 


Yao Qian, que lidera pesquisas de campo no Banco Popular da China, disse em março que deveria haver uma única moeda digital (CBDC) incorporando "elementos de criptomoeda", mas nada de concreto emergiu desde então, de acordo com Holden. 


"Na fase atual, a CBDC pode se concentrar principalmente na digitalização da moeda fiduciária", disse Qian à época. "Mas é inevitável que a CBDC integre mais recursos no futuro. Uma abordagem que apenas imita e digitaliza rigidamente a moeda fiduciária poderá minar a vantagem competitiva da CBDC no longo prazo". 


Essas criptomoedas, chamadas de "stablecoin", estão diretamente ligadas ao dinheiro fiduciário de um país ou apoiadas por uma commodity, como o ouro. 


Por exemplo, o OneGram é uma criptomoeda com suporte de ouro que suporta cada moeda digital com um grama de ouro. Cada transação da OneGram Coin (OGC) gera uma pequena taxa de transação que é reinvestida em mais ouro (líquido de custos administrativos), aumentando assim a quantidade de ouro que apoia cada OneGram, de acordo com um white paper sobre o tema. 


A Casa da Moeda Real do Reino Unido começou a vender fichas de criptomoeda contra barras de ouro, e até chamou seu Royal Mint Gold de "O Novo Padrão de Ouro Digital". 


"Sei que os bancos centrais em muitos lugares estão olhando para isso", observou Brian Behlendorf, diretor-executivo da Hyperledger, entidade colaborativa formada para criar tecnologia blockchain para uso comercial. "Eventualmente, veremos os bancos centrais emitirem títulos contra as criptomoedas suportadas por seu status de banco de primeira linha.” 


Fonte: IDGNow!



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