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Facebook revela novas tentativas de manipulação da informação

O Facebook informou nesta terça-feira (31) que fechou mais de 30 páginas e contas falsas envolvidas no que parecia ser um esforço "coordenado" para alimentar questões sociais polêmicas antes das eleições americanas de novembro, mas não conseguiu identificar a fonte, apesar de insinuações de que a Rússia estava envolvida.

Data: 01.08.2018

Facebook revela novas tentativas de manipulação da informação

A empresa disse que as contas de "maus atores" na maior rede social do mundo e em seu site de compartilhamento de fotos Instagram não poderiam estar ligadas a atores russos, que segundo autoridades americanas usaram a plataforma para disseminar desinformações antes da eleição presidencial de 2016 nos Estados Unidos.


Mas a gigante da tecnologia disse que "parte da atividade é consistente" com a da Agência de Pesquisa da Internet (IRA), sediada em São Petersburgo - a fazenda de trolls russa que gerenciou muitas contas falsas no Facebook para influenciar os votos em 2016.


"Encontramos evidências de conexões entre essas contas e contas da IRA anteriormente identificadas, mas não acreditamos que as evidências sejam fortes o suficiente neste momento para fazer uma atribuição pública à IRA", disse Alex Stamos, chefe de segurança do Facebook, durante uma conferência telefônica com repórteres.


"Não podemos dizer com certeza se isto é a IRA com capacidades melhoradas ou uma organização diferente".


A investigação está em um estágio inicial, e foi revelada agora porque uma das páginas estava orquestrando um contra-protesto no mundo real ante um evento "Unite the Right" em Washington, DC, em 10 de agosto.


O Facebook está compartilhando informações sobre as páginas e contas com funcionários de inteligência, e planejou notificar os membros da rede social que manifestaram interesse em participar do contra-protesto.


A rede social informou que está fechando 32 páginas e contas "envolvidas em um comportamento não autêntico coordenado", apesar de que talvez nunca se saiba com certeza que grupo ou país estava por trás delas.


"A atribuição não é necessária para que encontremos e paremos esse comportamento", disse Stamos.


- "Corrida armamentista" -


O Facebook informou as agências policiais americanas, o Congresso e outras empresas de tecnologia sobre suas descobertas.


"A revelação de hoje é mais uma prova de que o Kremlin continua a explorar plataformas como o Facebook para semear a divisão e disseminar desinformação, e estou feliz que o Facebook esteja tomando algumas medidas para identificar e abordar essa atividade", disse o senador democrata Mark Warner, membro da comissão de Inteligência da câmara alta, em um comunicado.


"Também espero que o Facebook, junto com outras plataformas, continue identificando atividades de trolls russos e trabalhando com o Congresso na atualização de nossas leis para proteger melhor nossa democracia no futuro".


A empresa disse que os responsáveis pela campanha tinham tido "mais cuidado em cobrir seus rastros", acrescentando: "Encontramos evidências de algumas conexões entre essas contas e as contas da IRA que desativamos no ano passado (...), mas também há diferenças".


Algumas das páginas mais seguidas que foram eliminadas incluíam "Resisters" e "Aztlan Warriors".


A página "Resisters" contou com o apoio de seguidores reais para um protesto em Washington em agosto contra o grupo de extrema direita "Unite the Right".


Stamos confirmou que as páginas também tratavam de questões de imigração com referências à agência de Imigração e Alfândega.


As páginas não autênticas, que datam de mais de um ano, organizaram uma série de eventos no mundo real, e todos, com exceção de dois deles, foram realizados, segundo o Facebook.


A notícia chega apenas alguns dias depois de o Facebook sofrer a maior queda em um único dia do valor de mercado para qualquer empresa, depois de perder as previsões de receita para o segundo trimestre e oferecer projeções de crescimento fraco.


A empresa de Mark Zuckerberg diz que a desaceleração virá em parte devido à sua nova abordagem de privacidade e segurança - que ajudou os especialistas a descobrirem esses chamados "maus atores".


"Nós enfrentamos adversários determinados, bem financiados, que nunca desistem e estão constantemente mudando de tática. É uma corrida armamentista e precisamos melhorar constantemente também", disse o Facebook.


"É por isso que estamos investindo pesadamente em mais pessoas e em melhor tecnologia para evitar que os maus atores usem mal o Facebook, e estamos trabalhando muito mais de perto com as autoridades policiais e outras empresas de tecnologia para entender melhor as ameaças que enfrentamos".


Fonte: Jornal do Brasil



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