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O futuro pós-nuvem já chegou

Aqui estão algumas de suas características mais marcantes

Data: 30.07.2018

O futuro pós-nuvem já chegou

Para uma boa parte das empresas, Cloud Computing ainda é vista como uma perturbação da ordem estabelecida. Mas para muitas, já em processo de Transformação Digital,  ela já representa o status quo. E como ele é?


Aqui estão algumas características marcantes:


1 - Escalas enormes
Todos os sistemas começam a ser projetados para processar quantidades gigantescas de dados. Aplicativos são escaláveis, para responder às mudança de fluxo nas correntes de bytes. Quando sistemas são desenhados, ninguém pergunta sobre capacidade, porque parte do pressuposto de que a capacidade poderá ser infinita. Os esforços de design presumem isso. Não importa quantos dados uma aplicação possa estar gerenciando ou quantas máquinas virtuais a topologia do programa possa conter, ele deverá ser capaz de expandir para suportar mais. Em essência, podemos presumir que sistemas são projetados para um mundo da “ilusão da infinita capacidade”.


2 - A Internet das Coisas em plena adoção
O CTO da Cisco previu que, em um futuro bem próximo, um trilhão de dispositivos estarão ligados à internet. Há muitas pessoas que preveem que estamos entrando na era pós-PC. Significa que além dos aparelhos com os quais os humanos vão interagir da forma tradicional, como os smartphones, tablets, etc, já estamos cercados por um número muito maior de dispositivos de propósito específico, dedicados a execução de determinadas funções, que se comunicam com programas centralizados rodando na nuvem, e que por sua vez interagem com algo que nós,  ou alguém usando nosso proxy, acha valioso.


Por exemplo, não precisamos mais olhar para o nosso relógio para saber a nossa pressão sanguínea. O relógio mede a pressão e envia o resultado para o sistema de monitoramento, que gera um alerta para o profissional de saúde, baseando-se em uma experiência médica e nas especificidades da nossa saúde individual. Usaremos cada vez mais dispositivos como este relógio, equipados com sensores, e ubíquos, a ponto de sequer prestarmos atenção a eles, a menos que haja necessidade.


Uma década atrás, em um debate com o CEO de uma empresa de chips análogos que equipava o protótipo de um refrigerador inteligente, ele chegou a afirmar que, no futuro, o refrigerador teria uma interface na qual você poderia fazer sua lista de compras baseada em diferentes níveis de observação dos alimentos armazenados. Duvidei de que que a caixa de leite poderia determinar que estaria com nível baixo e então contatar o refrigerador para adicionar leite à lista. Ele respondeu que essa funcionalidade sairia muito cara, na época, para uma caixa de leite. Uma resposta que levava em conta suas tradicionais suposições sobre custo/funcionalidade para a discussão, em vez de extrapolar a tendência que, efetivamente, hoje se impõe.


Em retrospecto, é claro que ele estava subestimando como as coisas aconteceram.  Hoje, em mercado como o norte-americano, a caixa de leite já conversa com o aplicativo da lista de compras na nuvem e essa app contata o e-commerce para organizar seu pedido semanal de caixas de leite.


3 - O custo dos componentes de TI cai vertiginosamente
Não me refiro a chips ou HDs. Falo de cada elo da corrente de fornecedores de TI. De sistemas operacionais, middleware e software muito mais baratos.


Anos atrás era comum escutar muitas pessoas opinando que os fornecedores de software “não permitiriam” a mudança para a nuvem, reduzindo seus preços ou margens de lucro. hoje, a maioria dos grandes fornecedores de software vem abandonando as licenças perpétuas em prol de assinaturas de serviços na nuvem. E aqueles que ainda se prendem ao antigo modelo correm o risco de serem substituídos por novos participantes com preço mais amigável.


Paradoxalmente, os gastos totais em TI correm o risco de aumentar muito. Em certos setores de Cloud Computing há muita discussão sobre o Paradoxo de Jevon, que afirma que à medida que os avanços tornam o uso de um recurso mais barato e eficiente, sua utilização total não diminui; pelo contrário, só aumenta.


Jevons disse o seguinte: à medida que as pessoas começaram a utilizar o carvão em quantidades cada vez maiores, aprenderam também como utilizá-lo de forma cada vez mais eficiente. Desta maneira, para o mesmo peso de carvão passou a produzir-se mais calor e energia. Poderíamos pensar que isto levaria as pessoas a utilizar menos carvão. Mas de facto as pessoas passaram a utilizar mais carvão. Quanto mais eficiente se tornava o carvão, mais barato ficava, e mais dinheiro sobrava às pessoas para gastar noutras coisas. Essas outras coisas implicavam a queima de mais carvão nos comboios, fábricas e moinhos, e no aquecimento de casas maiores.


Da mesma forma, se as funcionalidades em TI insuflam as ofertas de negócio atuais, e toda nova oferta de negócios contém TI, o aumento de todas as iniciativas aumentará o investimento em TI.


À medida que a tecnologia de nuvem, pública ou privada, torna a computação mais fácil e mais barata para os consumidores, novos casos de uso surgirão rapidamente. Olhando para o futuro, podemos prever que “a Inteligência Artificial, o 5G, a transformação das redes e a mídia imersiva vão promover a inovação em todo mercado. Veremos avanços do tipo function-as-a-service, mudando o paradigma da programação e tonando-a mais fácil e rápida para desenvolvedores, de modo a possam estimular a próxima onda de inovação.


4 - TI reestrutura a TI
O lado ruim de ser parceiro de negócios está no negócio. O surgimento de novos provedores de nuvem públicas gerou um benchmark de comparação para a oferta de serviços feita pela equipe interna de TI. Não ser capaz de oferecer transparência comparável aos serviços comerciais, facilmente contratados, será o beijo da morte.


Na decisão da estratégia de implementação o custo é um entre muitos fatores, incluindo privacidade, requerimentos como largura e latência de banda para os aplicativos, etc, que podem determinar se o aplicativo é implementado interna ou externamente. A suposição de que a decisão padrão de implementação seja a interna, se tornou uma fantasia. CIOs já reconhecem que seu papel é gerenciar a infraestrutura, não possuindo equipamentos. Aqueles que pensam diferente disso estão sendo obrigados lidar com a adoção crescente da Shadow IT.


Junto com a contratação de serviços na nuvem direto pelas áreas de negócio, o maior desafio que as organizações de TI encontram na era pós-cloud é o suporte aos sistemas legados.  No mundo pós-nuvem não já não é suficiente gerenciar aplicativos legados com o menor gasto possível. Esses aplicativos carregam um alto custo de estrutura e manutenção. Custo esse muito mais alto que as ofertas de cloud disponíveis. Nesse cenário, a equipe de TI tem que ser muito mais agressiva e proativa para fazer todas as coisas necessárias. Todo CIO precisa avaliar os sistemas atuais e montar um plano para reduzir o custo, incluindo entre as opções a migração para um SaaS equivalente ou a terceirização de operações para um provedor mais barato.


5 - IaaS é o local onde estar
Muitas pessoas ainda pensam da computação em nuvem como máquinas virtuais sob demanda. A indústria se moveu rapidamente para além disso. A nuvem se transformou na plataforma, de fato, em que as empresas estão alimentando sua Transformação Digital e modernizando as áreas de TI.


Os desenvolvedores de aplicativos perdem seu tempo quando têm de contratar arquitetos para implementar escalabilidade e elasticidade. A infraestrutura deve lidar com isso, liberando os desenvolvedores de aplicativos para focar na funcionalidade do negócio, não na infraestrutura.


Quem teria pensado que as plataformas de IaaS se tornariam mais do que apenas armazenamento e serviços de computação? Não os provedores de PaaS. Mas foi exatamente o que aconteceu.


O impulso inicial de PaaS foi em torno da explosão de serviços de plataforma que agora são uma grande parte das nuvens de IaaS. Esses serviços, juntamente com os análogos de plataforma para aplicativos migrados, agora estão todos nas mesmas plataformas de IaaS.


Desenvolvedores, que hoje em dia são os maiores encarregados da migração de cargas de trabalho de aplicativos para as nuvens públicas de IaaS, precisam evitar a PaaS. Isso ocorre porque as nuvens de PaaS normalmente exigem aderência a modelos de programação, idiomas, bancos de dados e plataformas específicos. Assim, enquanto PaaS é boa para novos aplicativos baseados em nuvem, não é possível adaptar facilmente alguns aplicativos tradicionais baseados em LAMP em uma plataforma de PaaS. Isso significa um grande esforço para reescrevê-los, alto custo e risco. Então, adeus, PaaS.


Muito do que a PaaS oferece, incluindo ferramentas de desenvolvimento rápidas e fáceis, de implantação rápida, foi substituído por provedores de IaaS. Nuvens IaaS públicas, como o Amazon Web Services, agora oferecem recursos como desenvolvimento baseado em containers, computação sem servidor, Analytics e Machine Learning que tornaram a plataforma IaaS, rica em recursos. O melhor local para criar e implantar aplicativos baseados em nuvem. Além disso, fornecedores IaaS oferecem segurança em nuvem de última geração, bem como serviços operacionais, como gerenciamento, monitoramento e continuidade de negócios e recuperação de desastres.


Em suma, as plataformas IaaS de hoje fornecem os recursos Pass que as plataformas PaaS fornecem, além dos recursos de PaaS que os provedores de PaaS nunca forneceram.


6 - Escassez de bons desenvolvedores de aplicativos
O Paradoxo de Jevon significa uma explosão de demanda em TI. Em particular, uma demanda de criadores de aplicativos. Pessoas que saberão como construir ofertas de negócios integrando múltiplos aplicativos em um novo, implementando chamadas para APIs de serviços externos que terão uma demanda muito alta. Mas, ao mesmo tempo em que cresce o número de vagas disponíveis, faltam profissionais qualificados. 


Segundo a Code.Org, em 2020 haverá 1,4 milhão de novas vagas para programadores só nos Estados Unidos. No Brasil, a situação não é muito diferente.


Fonte: CIO



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