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Googlecoins? Facecoins? Applecoins? “Dentro de cinco anos!”, afirma CEO da TeamBlockchain

Quando não os podes vencer, junta-te a eles. A proliferação de ICO, um mercado não-regulado, vai acabar por impor uma prática cada vez mais comum. E as grandes empresas não vão ficar fora do sistema muito tempo.

Data: 26.07.2018

Googlecoins? Facecoins? Applecoins? “Dentro de cinco anos!”, afirma CEO da TeamBlockchain



Jonny Fry, CEO da TeamBlockchain e especialista, entre outros aspetos desta ‘nova economia’, em ICO (Initial Coin Offering), não tem dúvidas: “dentro de cinco anos, as grandes empresas como a Google, o Facebook ou a Apple estarão a lançar ICO”, disse, no evento ‘Legalize Blockchain’ – a que o Jornal Económico se associou como media partner – e que está a decorrer no Porto, a não mais de sete metros do Banco de Portugal.


A ICO é basicamente um meio não regulamentado que serve para um novo empreendimento ou uma empresa arrecadar fundos para investir, vendendo moeda virtual e é uma prática usada principalmente por startups que querem evitar os rigores dos regulamentos e aceder a capital exigido por investidores de risco ou bancos.


A palavra-chave não é ‘virtual’ – naquilo a que alguns chamam economia de casino, a ocidental, coisas virtuais vendem-se e compram-se todos os dias em toda a parte. O mercado de futuros e opções, por exemplo, é completamente virtual, e não é por isso que não existe. Ora, a palavra-chave é ‘não-regulamentado’ e é por isso, como explicaram vários dos intervenientes no evento, que os bancos reguladores e outras entidades (como a própria Comissão Europeia) têm mantido fogo cerrado sobre as atividades de venda das chamadas criptomoedas.



Mas isso, como também não se cansaram de referir, é coisa que, com o tempo, passa. Até porque o tempo trará regulação, ninguém tem dúvidas disso. Já que mais não fosse, como foram esmiuçando Luís Roquette Geraldes, Senior Associate da MLGTS, e Filipe Castro, fundador da Utrust, porque os reguladores sabem que têm ali, nessas operações que para já são uma incógnita, uma possivelmente muito apetecível área de cobrança de novos impostos.


No que todos os que participaram nos debates convergiram foi na necessidade de os países não se atrasarem nesta nova área de negócio. A mensagem é simples: em vez de condenarem à partida uma prática nova, mais valia que as entidades reguladoras a estudassem com o recurso à experiência dos (poucos) que já a têm e legislassem no melhor sentido.


Mas não é isso que costuma acontecer, principalmente nos mercados onde o sistema financeiro tradicional tem o peso enorme que tem, por exemplo, em Portugal. “É pena ser o nosso país perder esta oportunidade”, asseguraram vários dos presentes.


Até porque o tempo já está a contar: alguns países estão bem à frente no que tem a ver com a aceitação deste tipo de novas práticas financeiras. Jonny Fry assegurou que, “só para falar na Europa, a Estónia e a Letónia”, já estão na liderança. Não por acaso, são dois mercados onde a banca tradicional está muito menos desenvolvida que na Europa central ou do sul – não sendo igualmente por acaso que precisamente a banca tradicional tem acompanhado o fogo cerrado com que os reguladores têm tentado atingir as ICO e outras práticas paralelas.


E isso acontece por duas ordens de razão: em primeiro lugar porque operações deste tipo podem reduzir em muito os custos de financiamento de lançamento dos negócios e de novos investimentos; e, por outro, porque colocará a descoberto o facto de a banca tradicional “andar há muito a enganar toda a gente”, segundo Fry.


O britânico recordou ainda outro facto importante: “não é a regulação que impede a fraude e a corrupção, como qualquer um pode comprovar”. É certo: nos mercados regulados – e é necessário não esquecer que os paraísos fiscais (por exemplo) são mercados regulados – a existência de fraudes é constante.


Com a regulação surgirá o resto: o aconselhamento e mesmo a disputa jurídica. Os presentes recordaram que a atividade dos advogados também é regulada – e a classe não gosta propriamente de ‘mexer’ em atividades que não venham ‘estampadas’ num qualquer compêndio de leis.


Atividade claramente subsidiária da Internet, é por isso uma área onde tudo acontece muito rapidamente. E o risco de os reguladores andarem à procura de uma ponta para poderem fazer uma ideia daquilo com que estão a lidar enquanto a realidade os ultrapassa por todos os lados, é assinalável.


Entretanto, e no sentido de tornar o mais possível conhecidas as práticas que estão a moldar o futuro, os organizadores do evento, que decorreu no Porto, preparam uma nova edição para o mês de novembro.


Fonte: O Jornal Económico






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