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O poder das pessoas na liderança da transformação

Aliar técnicas de gestão da mudança a técnicas de design e técnicas comportamentais, deve fazer parte de um novo “cocktail” de renovação das pessoas e da cultura das organizações.

Data: 25.07.2018

O poder das pessoas na liderança da transformação



Mais de 9 mil resultados é o que se obtém quando se pesquisa no Google as duas palavras mais ditas e ouvidas nos últimos tempos: “disrupção digital”. Já se tornou comum e recorrente falar sobre o tema e demonstrar que se trabalha nessa direção. Mas será que se está a abordar o tema corretamente? Não estarão as pessoas a ficar num segundo plano deste processo de mudança, subordinadas a uma prioridade tecnológica?


Ainda há algum trabalho de consciencialização a fazer sobre o verdadeiro poder das pessoas enquanto dinamizadoras e influenciadoras de uma transformação bem-sucedida. E, para além disso, de saber como capitalizar esta vantagem.


Alguns factos que não se podem ignorar:



1. Por falta de envolvimento, desconhecimento e/ou má comunicação, as pessoas nunca poderão responder eficazmente a uma mudança. Não sabem como atuar, não foram educadas nesse sentido e vão criar maiores forças de bloqueio e resistência;


2. Por outro lado, também é conhecida a capacidade de plasticidade do cérebro humano e o ponto multigeracional comum de se apreciar mensagens personalizadas;


3. As formas e métodos de conquistar/envolver as pessoas mudaram. Há uma grande apetência pela inovação e cocriação, e as pessoas gostam de se sentir ouvidas.


Tenho assistido a alguns processos de mudança centrados apenas a nível da liderança/chefia das organizações. O afastamento que se cria entre quem está a definir e quem depois tem de operacionalizar é tão grande que, no final, não há o compromisso nem o envolvimento necessários do elemento chave para o funcionamento do que foi planeado.


Neste contexto, podemos falar de peopruption (“people disruption”), onde é crucial conquistar a cabeça e o coração das pessoas para se conseguir alguma transformação. Aliar técnicas de gestão da mudança (comunicação clara e personalizada) a técnicas de design (criar de forma colaborativa e criativa) e técnicas comportamentais (promover sessões de coaching) deve fazer parte de um novo “cocktail” de renovação das pessoas e da cultura.


E qual o motivo desta preocupação de envolvimento e de alteração de métodos? Porque também está presente uma nova força de trabalho, com outras preocupações e outro perfil de relação com o mundo laboral. Já começo a experienciar o aparecimento de candidatos estrangeiros, que querem trabalhar como freelancers por forma a manter outras atividades e que, sempre que possível, o possam fazer a partir de outro local que não o escritório.


Esta realidade tem de ser conciliada com o outro lado da força de trabalho, cuja reforma se adia e a vontade de fazer coisas novas tem de ser alimentada e acompanhada. As técnicas anteriormente referidas são, por isso, poderosas: eliminam as barreiras geracionais e criam pontos de contacto e de partilha/aprendizagem entre todos.


Este processo não se pode atrasar e não pode começar depois da transformação. Pelo contrário. Neste caso não se coloca o tema do “ovo e da galinha”, as pessoas são o verdadeiro motor na liderança da transformação. Essa é a verdadeira aposta de mobilização para o sucesso.


Fonte: O Jornal Económico






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