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Dia da Internet: Mercados e Justiça já não vivem sem ela

"Se poderíamos atuar no mercado de capitais sem internet? Com os sistemas atuais, não". Esta quinta-feira assinala-se o Dia da Internet, uma efeméride criada pela ONU com o objetivo de refletir as valências das novas tecnologias na vida dos cidadãos.

Data: 17.05.2018

Dia da Internet: Mercados e Justiça já não vivem sem ela

O dia 17 de maio é desde 2006 o Dia mundial das Telecomunicações e da Sociedade de Informação, vulgo Dia Mundial da Internet. Esta data foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas com o propósito de refletir as potencialidade das novas tecnologias na vida dos cidadãos. Mas, mais do que potencialidades impera a questão: em plena era da informação, da IoT (Internet das coisas), das redes sociais, da informação sistemática, instantânea e em cadeia, onde a digitalização dos meios e a encriptação de dados pela linguagem da programação informática exige-se, é possível viver sem Internet?

 

O Jornal Económico contactou agentes de duas áreas cruciais no funcionamento e desenvolvimento de uma sociedade – Mercados e Justiça – com o objetivo de saber se o desempenho das suas atividades, em setores estratégicos são exequíveis sem acesso à Internet.

 

A resposta é não. Tanto na Justiça como nos Mercados é difícil de imaginar uma realidade sem a ferramenta de trabalho que é a Internet – rápida, omnipresente, ilimitada e com um sem fim de métodos de conetividade em (e com) diversas redes.


“Se poderíamos atuar no mercado de capitais sem internet? Com os sistemas atuais, não”. A explicação é da Euronext. De acordo com fonte oficial do grupo que gere a Bolsa de Valores de Lisboa, que também está presente nas bolsas de Amesterdão, Bruxelas, Londres, Dublin e Paris, “todo o software, hardware e princípios básicos inerentes aos sistemas de negociação e ligação aos membros de mercado assentam hoje nos princípios básicos de concepção da internet”.


Neste ponto é importante referir que não está em causa o tradicional “World Wide Web [www], mas a sua génese e de como a tecnologia evoluiu com base nesse conceito”.


O caso dos mercados de capitais é paradigmático: “Do lado do investidor muito mudou: as ordens que antes eram dadas aos intermediários financeiros para execução de ordens de compra e de venda por viva voz [no trading floor], ou por telex, fax e telefone, passaram a poder ser efetuadas através de um e-mail e, mais recentemente, de forma muito facilitada por home banking ou de aplicações móveis que facilmente se instalam em qualquer smartphone”, explica fonte da Euronext.


 

Atualmente os sistemas de negociação funcionam com maior rapidez, mas também com “muito mais cómodo para os investidores”, que já não precisam de estar “fisicamente nas salas de negociação das corretoras para poder acompanhar as performances do mercado”.

 

Mas o ponto essencial está no acesso à informação, que acabou por democratizar os mercados em certa medida. “Também a difusão de informação passou a ser muito mais célere. Os casos de informação privilegiada passaram a ser em menor quantidade, uma vez que a informação flui publicamente com uma velocidade muito diferente de quando existiam apenas jornais em papel”, conclui o grupo gestor da Bolsa de Valores de Lisboa.

 

Já no campo da Justiça, a existência da Internet é vista como uma ferramenta, uma vez que o  essencial “da atividade judicial” não está na Internet.

 

“A Internet tem uma importância crucial no sistema judicial atual”, começa por explicar o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP), António Ventinhas, ao Jornal Económico.

 

O dirigente do SMMP conta que os sistemas informático do Ministério da Justiça e do Ministério Público “têm cada vez maior importância na atividade judicial”, dando como exemplo a área do Direito Civil, cujos “processos se encontram completamente digitalizados e podem ser consultados e despachados remotamente”.

 

Ainda assim, António Ventinhas garante que “é possível os magistrados desempenharem a sua função sem acesso à Internet”, uma vez que a Internet é uma ferramenta e não a “essência” da atividade. Embora seja uma ferramenta crucial, pois, sem ela ” a forma de organização e trabalho teria necessariamente de ser diferente”.

 

Fonte: Jornal Económico



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